Europeus fazem contas às tarifas Trump

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Marc Barros

Marc Barros

Entre a preocupação e o alívio, são várias as reações.

 

A imposição de tarifas de 20% à entrada de vinhos e outras espirituosas provenientes da Europa no mercado norte-americano pela administração Trump tem levado a um conjunto de reações adversas por parte dos diversos países e regiões produtoras afetadas.
Desde logo, França, que em 2024 exportou 2,5 mil milhões de euros em vinhos, aos quais se juntaram 1,5 mil milhões em destilados, com Cognac à cabeça. A Borgonha, que tem no EUA o principal mercado de exportação, veio “lamentar profundamente esta decisão”, que “representa um duro golpe”. Terá “um forte impacto nos exportadores, nos seus parceiros, mas também nos consumidores americanos”, segundo comunicado do Comité Interprofissional dos Vinhos da Borgonha. Porém, a mesma nota refere que perpassa igualmente um certo alívio com este montante, menor que os 200% com que chegou a ameaçar o setor, na medida em que, se “o impacto nos vinhos da Borgonha poderá rondar os 100 milhões de euros, não provocará uma paragem repentina como teria acontecido com impostos mais elevados”.
O mesmo foi-nos referido por um responsável de um grande produtor da região dos Vinhos Verdes, segundo o qual o impacto não será tão severo quanto o esperado, uma vez que a tarifa, ao incidir apenas sobre as taxas aplicadas aos vinhos, não terá um reflexo substancial no preço final de venda e, espera, não demoverá os consumidores da compra. Traça mesmo uma comparação com as sanções colocadas ao mercado russo, que acabaram por não redundar em perdas avultadas.

Já o European Wine Business Committee (CEEV) refere em comunicado que “não existe mercado alternativo de vinho que possa compensar a perda do mercado perdido”. Segundo Marzia Varvaglione, os Estados Unidos tornaram-se o maior mercado de exportação de vinhos da UE, com envios para o país no valor de 4.880 milhões de euros. As exportações para os Estados Unidos representam 28% do valor total das exportações de vinho da UE.
Por sua vez, a Federação Espanhola do Vinho (FEV) indicou que este é “o segundo maior destino de exportação em geral e o principal no caso dos vinhos espumosos, representando aproximadamente 13% do total das vendas externas”. Em 2024, as exportações espanholas para os EUA montaram a 390 milhões de euros. Os principais prejudicados serão as PME, que representam 99% do tecido empresarial espanhol do setor.
Este plano de tarifas dito de “Libertação”, ao ser aplicado de forma cega, prejudica igualmente os principais aliados de Trump na Europa, como a Hungria. E inclui uma aplicação global que terá, por exemplo, tarifas de 30% para a África do Sul; ficando os restantes com taxas de apenas 10%. De fora para já estão as importações de México e Canadá.